"Educação sentimental, eu li o anúncio num jornal,
Ninguém vai resistir se eu usar os meus poderes para o mal..."
Quando o assunto é uma comédia romântica pode-se esperar um filme com um amontoado de clichês. “Amor a Toda Prova”, não foge à regra. Entretanto, se baseia em um roteiro sólido capaz de desbancar as produções recentes do gênero. Na trama, Cal Weaver (Steve Carell) vê seu casamento de duas décadas e meia ruir quando sua esposa, Emily (Julianne Moore), sufocada pela rotina, transa com um colega de trabalho e, em meio à crise da meia-idade, pede a separação. Sendo Emily sua primeira e única namorada, Cal precisa reaprender a lidar com o sexo oposto para superar a traição. Logo, o filme se mostra uma comédia romântica para homens. Cal precisa enfrentar uma jornada em busca da masculinidade perdida e compreender a arte da sedução. Em pouco tempo, ele se transforma no canalha perfeito, para só então perceber que, na verdade, tudo o que ele quer é a mulher de volta.
O relacionamento entre eles é o foco central, mas as histórias paralelas têm força quase igual. Limitado a um pequeno círculo familiar, o filme realça o poder de influência que fatos têm entre si. O roteiro de Dan Fogelman acerta ao conduzir as diversas tramas sem maniqueísmo entre os personagens. Com pitadas de um humor politicamente incorreto que dá o tom a produção. As piadas são pontuadas por diversas referências sexuais. Outro detalhe são que as viradas importantes do roteiro são precedidas por closes de gestos certeiros.
“Amor a Toda Prova” é recheado de clichês. No entanto, o que diferencia o filme dentro do gênero é que ele se utiliza dos clichês para passar uma mensagem mais realista do que o normal.

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